Aos 15 anos por questões políticas Chiu Ping Lok e sua família saíram da China e passaram a residir em Hong Kong (na época protetorado britânico). Foi lá que o talento desse jovem tomou novos rumos, enriquecendo-se pelo contato com outras modalidades de expressão artística e artes marciais que acentuariam sua formação. Foi também em Hong Kong que veio a entrar em contato com o Tai Chi Chuan (com o famoso mestre Cheng Man Ching, o qual foi discípulo de Yang Chen Fu) e aprofundou-se nos conhecimentos dessa arte. Também teve noções de acupuntura chinesa com mestre Hui Mil Sin, e de Yoga com um grupo Hindu que excursionou pela região.
Chiu Ping Lok sentiu os benefícios da milenar arte da Índia, com relação a sua importância no sistema corporal cardiovascular assim como atividade relaxante, sobre tudo quando praticado após a movimentação do Kung Fu.
Mestre Chin Man Sim, amigo de seu tio, era um professor cego de kung-fu que justamente devido a sua deficiência desenvolveu e aprendeu a transmitir uma sensibilidade quase extra sensorial. Com ele Chiu Ping Lok aprimorou sua percepção independente da visão num grau muito mais alto e refinado.
Outras pessoas de destaque influenciaram no seu desenvolvimento foram: Mestre Lam Fei Hung, conhecido como Ti Tao Hung (cabeça de Ferro) , mestre em Hung Gar, que em demonstrações era capaz de entortar três barras de ferro e depois desentortá-las , batendo na cabeça que era calva; Mestre Hui Mil Sin , do estilo Mo Gar; e o velho Si Pak, muito bom em técnicas de Si Mei Kwan (bastão rabo de rato) e Pa Kua Chan (Bagua Zhang) além de outras técnicas de Nei Kung (que enfatizam o trabalho de energia interna). Outra coisa que muito contribuiu para a riqueza e variedade de sua formação marcial foi ter um colega cujo pai trabalhava em uma industria cinematográfica, onde Lope Chiu pôde adquirir muita experiência em vários estilos e métodos de combate, treinando e atuando como figurante em vários filmes chineses.
Em 1961, com 24 anos, Lope Chiu chegava ao Brasil, para em seguida ir aos Estados Unidos, aonde junto com a família pretendiam fixar residência. Contando com apenas com o auxilio de seu tio, no Brasil teve que superar o choque cultural existente entre o oriente e o ocidente: com ajuda de um amigo foi aprendendo nosso idioma, a adaptação foi se dando de forma natural, e a receptividade e o calor humano do povo brasileiro foi conquistando o jovem chinês que então já dava aulas de kung-fu todos os finais de semana no Centro Docial Chinês de São Paulo (1963) aos chineses residente no local. Então, suas qualidades de mestre foram mais fortes que as diferenças raciais e culturais.
Mais tarde, selecionando, compilando, sintetizando e adaptando as melhores técnicas aprendidas no continente asiático, desenvolveu um estilo sistemático de kung-fu: o Fei Hok Phai.
Chiu Ping Lok foi o primeiro pioneiro da Arte Folclórica Chinesa da Dança do Leão e representante da International Dragon and Lion Dances Association Limited (Associação Internacional de Dança do Leão e Dragão Ltda) no Brasil desde 1961. Em 1969 inaugurou a Academia Tai Chi Yoga e Kun Fu, na rua Catequese 72 em Santo André, São Paulo, sendo a primeira academia de Kung Fu registrada no país, onde ficou até em 1974 (quando fechou a academia e passou a dar aulas no Clube dos Alemães, também em Santo André aonde ficou até em 1980).
Em 1977 fundou a Associação Central Fei Hok Phai de Kung-fu Wushu do Brasil a fim de manter a coesão do estilo em todo o Brasil já que muitos de seus alunos antigos, entusiasmados, abriram novas academias em diversas partes do país.
Em 1980, inaugurou a atual Academia Tai Chi, na rua Santo André 662, com o prédio ainda em construção, dando apenas aulas de Kung Fu na garagem do prédio. O prédio só ficou pronto em 1984. A Associação Fei Hok Phai, foi fundada em 1º de agosto de 1986 no prédio da academia Tai Chi, onde funciona até hoje.
Em 1986 e 1992, em conjunto com outros mestres chineses (a saber: Chan Kowk Wai, Li Hon Kay, Li Wing Kay e Wong Sun Keung) e praticantes brasileiros mais antigos, ajuda a fundar respectivamente a Federação Paulista de Kung-fu (FPKF) e a Confereração Brasileira de Kung-fu/Wushu (CBKW), a fim de organizar o ensino e a divulgação do kung-fu no Brasil. O estilo Fei Hok Phai, compilação e depuração feita por ele a partir dos estilos treinados, atualmente é reconhecido pela China, apesar de ter sido criado já no Brasil.
O nome de Mestre Lope é conhecido em todo o Brasil nas esferas de arte marcial chinesa como um dos pioneiros do ensino sistemático de arte marcial chinesa em nosso país, além de um dos maiores batalhadores pela divulgação da cultura chinesa. Preocupava-se não só pelo aspecto marcial do kung-fu, mas também com o aspecto cultural, sendo conhecidos os praticantes de Fei Hok Phai da Associação Central como exímios performantes das tradicionais danças folclóricas do leão e do dragão. Por todas essas contribuições a cultura e a arte marcial chinesa, Mestre Lope é detentor de inúmeras condecorações: Comenda de Mérito da Educação, medalha João Ramalho e Grão Cruz Municipalista, outorgadas pela Sociedade Brasileira de educação e Integração; e a Grã-Cruz da Soberana Instituição, outorgada pela Heráldica Ordem da Paz Universal.
Faleceu em 22 de agosto de 2009 por motivo de doença. O kung-fu brasileiro a partir deste dia ficou órfão de um de seus pais. Deixou como seus principais alunos os seguintes mestres: seu irmão Lee Wai Yin (meu mestre, o qual faleceu pouco depois), Jair Melo Lima, Cíntia Yan Sue, Maria Luíza Horneaux, Valdenir Machado, Mário Kunio Masuno, Benedito (Benê) de Barros Filho, Guilherme Eduardo Stamato, Valter Tadeu Ribeiro e Aparecido Marrera. Seus filhos Tom Chiu e Gary Chiu possuem a incumbência de administrar a Associação Central.




1 comentários:
Muito boa a homenagem mr. Queiroz
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