sábado, 7 de agosto de 2010

Minha Saga em Cuba - parte 2

Conheci no dia seguinte já alguns esperantistas que estavam hospedados no mesmo lugar que eu. Haviam mais, porém os que falaram mais comigo foram um casal idoso de italianos, um cara suíço, um cara alemão (e que fazia aulas de espanhol na Alemanha), uma croata mega-inteligente que virou amigona sem sombra de dúvidas, e uns dois brasileiros que eu já conhecia. Fomos todos junto efetivar a inscrição que já fizemos, um ônibus nos levou para o local do congresso e la falaram para nós irmos a uma sala.

Chegando na tal sala, nos recebe uma mulher que não fala esperanto muito bem, e para a sorte do pessoal eu e o tal alemão falávamos espanhol. Saí de lá meio que bufando, falando "Porra, como que a organização do congresso faz uma merda dessas, se sabem que o congresso é MUNDIAL e que muita gente NÃO fala espanhol?". O alemão falou que pra ele essa falta de organização é reflexo do sistema econômico, do comunismo, pois se o sistema do país é ruim toda a organização do país é ruim, logo a do congresso também, coisa que discordei pois simplesmente não tem nenhuma lógica o sistema econômico com o fato de que num congresso pontual de uma língua colocaram uma mulher que não fala esta língua para cadastrar o pessoal. Mas que seja, nos cadastramos, entramos na sede do congresso, e tudo ficou beleza.

Já na sede do congresso vi uma miríade de nacionalidades. Só não tinha gente da África. Tinha gente lá que já estava em Cuba há mais de uma semana, que andou pelo país inteiro, e ficou mostrando fotos... Outros, principalmente cubanos, me perguntavam "Mas o que que aconteceu com a seleção brasileira de futebol? Estávamos torcendo tanto...". Um foi conhecendo o outro, fomos indo para o salão onde se vende livros no congresso, etc.

Almocei os dois primeiros dias em um restaurante em baixo da sede do congresso, o preço variava de 6 a 9 CUC (a depender do que você pedia). A refeição costumava ser um combo. Primeiro vinha uma sopa e uma broinha com manteiga, depois uma saladinha, depois o prato da refeição em si, depois a sobremesa, e de bebida pode escolher entre suco, refrigerante ou cerveja. No meu caso, escolhi por duas vezes a cerveja Bucanero.Um amigo meu perguntou se todos os cubanos comiam esta comida, a garçonete falou "Não, trabalhador não come comida de turista. Pra te dar um exemplo nós não comemos carne bovina, pois não é balanceada e também não temos rebanho. Também não comemos muitos camarões. Seguimos uma dieta da Universidade de Havana". Mas uma coisa que me chamou atenção em Cuba, de maneira negativa, é que é quase impossível achar qualquer produto sem açúcar por lá (adoçante, refrigerante diet/light/zero, etc), pra mim que faço uma dieta tive que mandá-la pra pequepê, mas faço idéia como faz um diabético. Uma amiga minha polonesa novamente usou "o comunismo" como motivo, mas porra, o mais incrível é que de maneira relativamente fácil conseguimos encontrar coca-cola por lá, apesar de ser mais vendida a tu-kola (o refrigerante cubano de cola mais conhecido por lá), e não se encontra uma pepsi twist light por exemplo, ou QUALQUER refrigerante (pode ser cubano mesmo!) sem açúcar. Como que é o comunismo então? Na minha opinião é que, de maneira totalmente independente do sistema econômico, certas iniciativas simples não foram feitas por lá talvez por eles não acharem importante, talvez porque eles não tenham tanto medo do açúcar assim já que o pâncreas deles não são tão maltratados pela obesidade, e a maioria dos diabéticos tipo II o são por terem um histórico de "gordice", mas porra, tenho a certeza de que se houvesse esses refrigerantes mais gente iria fazer turismo por lá, já que a alimentação de lá é sim muito boa (tem vegetais, frutas, carnes, ovos, arroz, feijões, grão de bico, quiabo, sojas) a merda é a pessoa ter que optar sempre entre água ou um suco sem açúcar (dependendo da fruta tudo bem, mas quando o suco é de limão...).

Nos três primeiros dias fiquei essencialmente por conta do congresso, conhecendo Cuba somente através dos cubanos que lá estavam. Aproveitei também para me inscrever para o exame de proficiência de esperanto no nível C1 pela Komuna Euxropa Referenc-kadro por Lingvoj (Common Europe Framework of Reference of Languages - CEFR), conhecer algumas crianças esperantistas (muitas delas desde o nascimento), e jogar conversa fora. No dia seguinte uns cubanos resolveram nos levar para dar um rolê em Havana, já que o dia estava livre, e foi aí que comecei a conhecer melhor a cidade e o país. Coisa que vou falar pra vocês depois...

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